Edifício térreo do Centro de Saúde de Melgaço, com o nome na fachada
Foto: Reis Quarteu / Wikimedia · CC BY-SA 4.0

Quem pode acompanhar uma gravidez de baixo risco no centro de saúde?

Enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, nas unidades locais de saúde indicadas por despacho em março de 2026, quando não há médico disponível. O Parlamento aprovou na generalidade uma recomendação para acelerar a aplicação do projeto.

Quem votou o quê

Projeto de Resolução 1130/XVII · Votação na generalidade, 25 de setembro de 2026: Aprovado.

A favor
  • JPP
  • PAN
  • PCP
  • L
  • PS
  • PSD
  • IL
  • CDS-PP
  • CH
Contra
Nenhum partido
Abstenção
  • BE
Registo oficial da Assembleia da República

Último desenvolvimento

: Aprovada na generalidade

Atualizado a 19 de outubro de 2026

O essencial

  1. O projeto existe desde 9 de fevereiro de 2026 e aplica-se em unidades de cuidados de saúde primários integradas em unidades locais de saúde com baixa cobertura de médicos de medicina geral e familiar.

  2. A primeira consulta de vigilância deve acontecer até às nove semanas e seis dias de gestação. Se não houver médico disponível, é feita pelo enfermeiro especialista, que faz a avaliação inicial do risco.

  3. A gravidez é reavaliada em cada consulta e a grávida é encaminhada de imediato para um médico sempre que surjam critérios de risco.

  4. A recomendação foi aprovada na generalidade a 25 de setembro de 2026 e está na Comissão de Saúde, pelo que ainda não é uma resolução em vigor.

Como chegámos aqui

  1. Impasse entre a Direção Executiva e os enfermeiros

    No Parlamento, o diretor executivo do SNS disse que o projeto não avança porque a Comissão de Acompanhamento não está a funcionar em condições e a Ordem dos Enfermeiros se recusa a participar. A Ordem responde que a Direção Executiva foi encarregada de pôr o modelo em prática e não de o mudar, e que só regressa quando forem retirados os entraves.

  2. PSD e CDS-PP entregam a recomendação

    O Projeto de Resolução 1130/XVII/1 pede ao Governo esforços para acelerar a implementação do projeto. O texto foi substituído a pedido dos autores a 13 de julho.

  3. Aprovada na generalidade

    A recomendação foi aprovada com os votos a favor de PSD, Chega, PS, IL, Livre, PCP, CDS-PP, PAN e JPP e a abstenção do Bloco de Esquerda, numa apreciação conjunta com outras oito iniciativas sobre saúde. Baixou depois à Comissão de Saúde.

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Fontes

Mais pormenores

O que se sabe (4)

  • O despacho de 16 de março de 2026 integra no projeto doze unidades locais de saúde: Arrábida, Arco Ribeirinho, Almada-Seixal, Amadora/Sintra, Estuário do Tejo, Lisboa Ocidental, Loures-Odivelas, Oeste, São José, Santa Maria, Alto Alentejo e Algarve.

  • Em abril de 2026 o projeto não avançava. O diretor executivo do SNS atribuiu o bloqueio ao funcionamento da Comissão de Acompanhamento e à recusa da Ordem dos Enfermeiros em participar.

  • A Ordem dos Enfermeiros diz que a Direção Executiva do SNS foi encarregada de pôr o modelo em prática e não de o mudar, e que só volta à Comissão de Acompanhamento quando forem retirados os entraves.

  • O modelo anunciado em novembro de 2025 previa um enfermeiro especialista por cada 75 grávidas e dez consultas ao longo da gravidez, em articulação permanente com o médico de família.

O que convém não confundir

  • Uma resolução recomenda, não obriga: o calendário do projeto continua a ser decidido pelo Governo.
  • O projeto não retira a gravidez ao médico: a classificação de baixo risco é reavaliada em cada contacto e há encaminhamento imediato se houver complicações.