Ministro da Administração Interna conduz carro apreendido pela PJ e diz que poupa dinheiro ao Estado
O ministro da Administração Interna (MAI), Luís Neves, conduz pessoalmente um Volkswagen Golf GTD apreendido pela Polícia Judiciária (PJ) num processo-crime, e leva o carro para casa. Já conduzia este carro quando era diretor nacional da PJ, cargo que deixou ao tomar posse como ministro a 23 de fevereiro de 2026. A PJ diz que o veículo foi cedido ao MAI em regime de comodato temporário, à semelhança do que sucede com outros organismos da Administração Pública. O ministro conduz o carro sem motorista nem elementos de segurança, incluindo aos fins de semana, e justifica a prática dizendo que poupa verbas substanciais ao Estado, evitando mobilizar mais recursos humanos em regime de turnos. O Serviço de Informações de Segurança (SIS) tinha atribuído ao ministro um grau de ameaça 3, descrito como significativo, numa escala de 0 a 5.
O essencial
Luís Neves é ministro da Administração Interna desde 23 de fevereiro de 2026, tendo sido antes diretor nacional da PJ.
Luís Neves pediu à PJ um carro desportivo Volkswagen Golf GTD que já conduzia enquanto diretor nacional, veículo apreendido num processo-crime, e conduz pessoalmente este carro, levando-o para casa.
A PJ afirmou que, à semelhança do que sucede com outros organismos da Administração Pública, tais viaturas foram cedidas em regime de comodato temporário, com documentação assinada por um dirigente com competência para o efeito.
O ministro conduz o carro sem motorista nem elementos de segurança, incluindo aos fins de semana, e diz que esta prática permite poupar verbas substanciais ao Estado, evitando a mobilização de mais recursos humanos em regime de turnos.
Como chegámos aqui
Atrelado apreendido na Operação Pacoba
A PJ apreendeu um atrelado em dezembro de 2024, no âmbito da Operação Pacoba, uma investigação de tráfico de droga. Luís Neves era, nessa altura, diretor nacional da PJ. O dia exato da apreensão não é conhecido.
Luís Neves toma posse como ministro da Administração Interna
Luís Neves tomou posse como ministro da Administração Interna do XXV Governo Constitucional, numa cerimónia presidida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém. Substituiu Maria Lúcia Amaral e deixou o cargo de diretor nacional da PJ.
Caso do carro apreendido conduzido pelo ministro torna-se público
Tornou-se público que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, conduz e leva para casa um carro desportivo apreendido pela PJ, e que justifica a prática com a poupança de dinheiro ao Estado.
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Mais pormenores
O que se sabe (2)
O SIS atribuiu ao ministro um grau de ameaça 3, descrito como significativo, numa escala de 0 a 5.
Em dezembro de 2024, quando Luís Neves era diretor nacional da PJ, foi apreendido um atrelado na Operação Pacoba. Esse atrelado foi mais tarde encontrado nas instalações de uma empresa ligada a um empreiteiro que fez obras em casa do ministro, dando origem a uma investigação distinta.
O que convém não confundir
- Este caso, sobre o carro desportivo Volkswagen Golf GTD que o ministro da Administração Interna conduz, é distinto do caso do atrelado apreendido pela PJ na Operação Pacoba e encontrado nas instalações de uma empresa ligada a um empreiteiro que fez obras em casa do ministro. Este último é objeto de um inquérito autónomo.
- Este caso não deve ser confundido com a polémica sobre os custos de destruição de produtos químicos apreendidos pela PJ e armazenados numa empresa ligada a um conhecido do ministro. Essa polémica baseia-se em emails internos da PJ sobre o custo estimado dessa destruição, e é distinta do caso do carro apreendido.
