Vai haver um limite às margens de venda dos combustíveis?

Não por esta via. O Parlamento rejeitou a 24 de setembro de 2026 a recomendação do Livre para o Governo fixar margens máximas, por isso não há portaria nem teto às margens de venda.

Quem votou o quê

Projeto de Resolução 1276/XVII · Votação na generalidade, 24 de setembro de 2026: Rejeitado.

A favor
  • BE
  • JPP
  • PAN
  • L
Contra
  • PSD
  • IL
  • CDS-PP
Abstenção
  • PCP
  • PS
  • CH
Registo oficial da Assembleia da República

Último desenvolvimento

: Rejeitada no debate sobre o custo de vida

Atualizado a 15 de outubro de 2026

O essencial

  1. Era um projeto de resolução, ou seja, uma recomendação ao Governo que não alteraria a lei por si. Foi rejeitado a 24 de setembro de 2026 e não houve resolução publicada.

  2. Votaram a favor Livre, BE, PAN e JPP. Votaram contra PSD, IL e CDS-PP. Abstiveram-se Chega, PS e PCP.

  3. O texto pedia ao Governo que fixasse margens máximas de comercialização de combustíveis simples ao abrigo do artigo 8.º, n.ºs 3 e 4 do Decreto-Lei n.º 31/2006, e que pedisse à ERSE uma proposta técnica fundamentada em cinco dias úteis.

  4. Previa uma portaria conjunta da economia e da energia em 15 dias, com margem bruta máxima em cêntimos por litro ou em percentagem do preço de referência, a vigorar 60 dias renováveis, parecer prévio da Autoridade da Concorrência e relatório semanal da ERSE.

Como chegámos aqui

  1. Gasóleo estimado em novo máximo histórico

    A estimativa para essa semana aponta 2,221 euros por litro no gasóleo simples e 2,118 euros na gasolina simples. Os dois valores são previsões, feitas a partir dos preços médios da Direção-Geral de Energia e Geologia de 18 de setembro, 2,156 e 2,068 euros, somados às subidas anunciadas pela BP, pela Galp e pela Repsol. A gasolina fica abaixo do recorde de junho de 2022.

  2. Livre entrega a recomendação

    O grupo parlamentar do Livre deu entrada com o Projeto de Resolução n.º 1276/XVII/2.ª, que recomenda ao Governo a fixação excecional de margens máximas de comercialização de combustíveis.

  3. Rejeitada no debate sobre o custo de vida

    A recomendação foi apreciada em discussão conjunta com outras iniciativas sobre combustíveis e IVA e rejeitada na votação na generalidade. O debate juntou 14 projetos e foi agendado pelo Chega em agendamento potestativo.

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Fontes e detalhe6 fontes

Fontes

Mais pormenores

O que se sabe (4)

  • A ERSE analisou os preços dos combustíveis rodoviários entre janeiro e julho de 2026, a pedido da ministra do Ambiente, e considerou não existirem fundamentos que justifiquem a fixação de margens máximas na comercialização de combustíveis.

  • Em alternativa, o regulador sugeriu harmonizar os referenciais públicos de preços, rever periodicamente a metodologia do Preço com Descontos e definir atempadamente as metas anuais dos biocombustíveis.

  • O Livre sustenta que a ofensiva militar contra o Irão iniciada a 28 de fevereiro de 2026 e o bloqueio do Estreito de Ormuz provocaram o maior choque de oferta petrolífera das últimas décadas.

  • O Livre argumenta que a contribuição de 33% sobre os lucros das petrolíferas só é liquidada em 2027 e, por isso, não alivia no imediato o preço pago na bomba.

O que convém não confundir

  • A contribuição de 33% e um teto às margens atuam em momentos diferentes. A contribuição é uma proposta no Parlamento, incide sobre os lucros de 2026 e seria paga até ao final de setembro de 2027. Um teto às margens incidiria sobre o preço cobrado na bomba.
  • O projeto fazia a portaria depender de uma proposta técnica da ERSE. Foi o mesmo regulador que, em agosto de 2026, considerou não haver fundamentos para fixar margens máximas.