O que mudava com um Conselho Nacional para o Bem-estar e Proteção Animal?

Ainda nada: é uma proposta, com a discussão na generalidade agendada para 21 de outubro. Criaria um conselho consultivo na Assembleia da República para dar pareceres sobre políticas de bem-estar animal e vigiar zoos, circos e centros de reabilitação.

Quem votou o quê

Projeto de Lei 107/XVII · Votação na generalidade, 21 de outubro de 2026: Rejeitado.

A favor
  • BE
  • JPP
  • PAN
  • PCP
  • L
  • PS
Contra
  • PSD
  • IL
  • CDS-PP
Abstenção
  • CH
Registo oficial da Assembleia da República

Último desenvolvimento

: Discussão na generalidade agendada, num bloco de seis projetos

Atualizado a 21 de outubro de 2026

O essencial

  1. O conselho seria uma entidade consultiva, independente e especializada, a funcionar no âmbito da Assembleia da República, que assegura os encargos do funcionamento e o apoio técnico. Inclui obrigatoriamente instituições governamentais, ONG, organizações da sociedade civil, associações do setor agropecuário e veterinário, centros de investigação e forças de segurança.

  2. Competia-lhe pronunciar-se sobre o planeamento, a execução e a eficácia das políticas de bem-estar animal, dar parecer quando solicitado por entidades públicas ou privadas, recomendar a aplicação de recursos públicos e investigação, e monitorizar o uso de animais em cativeiro e espetáculos, incluindo jardins zoológicos, circos e centros de reabilitação. Apresentaria um relatório anual à Assembleia e aos Ministérios do Ambiente e Energia e da Agricultura e Pescas.

  3. O Governo teria 90 dias para regulamentar a composição, a organização e o funcionamento. O conselho teria dotação própria no Orçamento da Assembleia da República e a lei entraria em vigor com o orçamento seguinte à publicação.

  4. O LIVRE justifica o conselho com a dispersão de responsabilidades entre entidades, que diz gerar lacunas na fiscalização e no cumprimento da lei. É a leitura do proponente.

Como chegámos aqui

  1. Admitido e enviado à comissão

    O projeto é admitido e desce à Comissão de Agricultura e Pescas, comissão competente na generalidade. A esta fase juntam-se os contributos da consulta pública, a nota técnica e o relatório da comissão.

  2. Comissão de Agricultura e Pescas vota por unanimidade

    Na reunião n.º 7 da Comissão de Agricultura e Pescas votam a favor PSD, CH, PS, L, PAN e JPP, sem votos contra, e IL, PCP e CDS-PP estão ausentes. O parecer desta fase tem como autora Irene Costa (PS). O projeto ainda não foi votado em plenário.

  3. Discussão na generalidade agendada, num bloco de seis projetos

    A discussão na generalidade está agendada para 21 de outubro de 2026, em conjunto com cinco projetos de lei: 780/XVII/2, do PAN, sobre criminalizar a zoofilia, 797/XVII/2, do BE, sobre alojamento e contenção de animais de companhia, 659/XVII/1, do JPP, sobre restringir a exportação de animais vivos por via marítima, 698/XVII/1, do CH, sobre um registo nacional de condenados por maus-tratos, e 702/XVII/1, do PAN, sobre a publicidade dessas condenações.

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Fontes e detalhe3 fontes

Fontes

Mais pormenores

O que se sabe (2)

  • O projeto invoca uma Comissão de Ética e Acompanhamento de Parques Zoológicos, que trata como antiga, e diz que o novo conselho a recuperaria e ampliaria, passando a vigiar também circos e centros de reabilitação. É o que escreve o partido.

  • O texto invoca as cinco liberdades dos animais definidas na União Europeia e um relatório da Comissão Europeia de 2022 sobre a revisão da legislação de bem-estar animal. São referências citadas pelo partido.

O que convém não confundir

  • O conselho seria consultivo. Daria pareceres e recomendações e não passaria a fiscalizar, licenciar ou aplicar multas.
  • Mesmo aprovada, a lei só começaria com o Orçamento da Assembleia seguinte à publicação, e a composição do conselho dependeria de regulamentação do Governo em 90 dias.