Orçamento de 150 mil euros para destruir atrelado apreendido abrangia bem mais do que o ministro sugeriu
O orçamento de 150 mil euros que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, invocou para destruir o atrelado guardado pela Construbarcelos cobria muito mais do que ele sugeriu na conferência de imprensa. Um email de 23 de setembro, do então diretor financeiro da Polícia Judiciária (PJ), Álvaro Pires, mostra que os 126 mil euros mais imposto sobre o valor acrescentado abrangiam todos os produtos guardados pela PJ em Tires e no Seixal, não só o atrelado. A troca de emails é de setembro de 2025. Luís Neves usa também, fora de serviço e em regime de comodato, um Volkswagen Golf GTD apreendido pela PJ. A revelação vem de uma investigação do Nascer do Sol com a TVI e a CNN Portugal.
O essencial
Um email de 23 de setembro, do então diretor financeiro da PJ, Álvaro Pires, referiu um custo de 126 mil euros, acrescidos de imposto sobre o valor acrescentado, perfazendo os cerca de 150 mil euros citados por Luís Neves. A troca de emails é de setembro de 2025. A revelação vem de uma investigação do Nascer do Sol com a TVI e a CNN Portugal.
A Ecodeal apresentou um orçamento de cerca de 38 mil euros para destruir os 62 bidões de 200 litros com acetato de etilo e hexano apreendidos, valor muito inferior aos 150 mil euros referidos pelo ministro.
Álvaro Pires, então diretor financeiro da PJ e autor do email sobre o orçamento, terá também tido obras na sua residência feitas pela Construbarcelos, a empresa que guardou o atrelado apreendido.
Luís Neves utiliza, fora do horário de serviço, um Volkswagen Golf GTD do parque de veículos apreendidos pela PJ, em regime de comodato, e pediu para continuar a fazê-lo depois de ser nomeado para o Governo.
Como chegámos aqui
Troca de emails na Polícia Judiciária sobre custo de destruição do atrelado
Um email de 23 de setembro, do então diretor financeiro da PJ, Álvaro Pires, tratou do orçamento para destruir o atrelado e o material apreendido guardados pela Construbarcelos. A troca de emails é de setembro de 2025. A investigação é do Nascer do Sol com a TVI e a CNN Portugal.
Orçamento de 150 mil euros abrangia mais do que o atrelado
O orçamento de 150 mil euros que Luís Neves citou para destruir o atrelado e o material apreendido guardados pela Construbarcelos abrangia todos os produtos guardados nas instalações da PJ em Tires e nas instalações da Polícia Marítima no Seixal, incluindo 62 bidões de 200 litros com acetato de etilo e hexano. A Ecodeal, uma das empresas contactadas, apresentou um orçamento de cerca de 38 mil euros. A investigação é do Nascer do Sol com a TVI e a CNN Portugal.
Emails contrariam declarações do ministro e revelam uso de carro apreendido
Os emails da direção da PJ contrariam as declarações de Luís Neves sobre o atrelado. O ministro utiliza fora de serviço um Volkswagen Golf GTD do parque de veículos apreendidos pela PJ.
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O que se sabe (1)
Luís Neves diz que o uso do veículo corresponde a uma viatura de serviço em regime de comodato, devidamente autorizada nos termos legais, justificada pela sua classificação de grau 3 de ameaça pública, numa escala de zero a cinco.
O que convém não confundir
- O novo elemento é o alcance do orçamento de destruição referido nos emails internos. Não há conclusão sobre se houve irregularidade nas decisões que Luís Neves tomou enquanto diretor da PJ.
- A utilização pessoal do carro apreendido é uma questão distinta do orçamento de destruição do atrelado, apesar de ambas terem sido noticiadas no mesmo dia.
- As justificações de Luís Neves sobre o comodato do veículo e sobre o custo de destruição são declarações do próprio ministro, ainda sem confirmação independente das entidades oficiais.
