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Caso dos 9,72 Bitcoins na PJ

O desaparecimento das bitcoins apreendidas pela PJ em 2018, o arquivamento e a reabertura do inquérito e a ordem judicial de devolução.

Atualizado em 11/09/20264 min de leitura

Edifício-sede da Polícia Judiciária em Lisboa

O essencial do caso

5 pontos-chave

Em outubro de 2018, com Luís Neves na direção da PJ, a polícia passou 9,72 bitcoins apreendidas a um casal em Vila Nova de Gaia para uma carteira criada e controlada por ela. Dias depois, essa carteira foi esvaziada. O inquérito foi arquivado em 2022 sem acusados e mais tarde reaberto. Em 2025, o tribunal absolveu o casal e mandou devolver tudo, incluindo as bitcoins.

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  1. Apreensão de 9,72 BTC pela PJ

    Numa busca a uma vivenda em Vila Nova de Gaia, em outubro de 2018, especialistas da PJ usaram credenciais dadas por um dos suspeitos para transferir 9,72 bitcoins para uma carteira nova, criada no momento e sob controlo da polícia. Foi a maior apreensão de criptomoedas da justiça portuguesa.

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  2. Esvaziamento durante a custódia

    A carteira da PJ foi esvaziada no sábado, 6 de outubro de 2018, em quatro movimentos entre as 09:43 e as 11:08. Em 2020, a análise das transações mostrou que as 9,72 bitcoins tinham seguido para um casino online (CoinGaming.io). Em 2026, o Ministério Público disse que foram depositadas em três contas da plataforma SPORTSBET, ligadas à mesma pessoa.

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  3. Inquérito arquivado e depois reaberto

    Em junho de 2019, um inspetor da PJ participou o desaparecimento ao Ministério Público, que abriu inquérito por branqueamento de capitais, descaminho e acesso ilegítimo. O casal foi constituído arguido em julho de 2021. Em junho de 2022, o inquérito foi arquivado sem acusados. Foi depois reaberto.

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  4. Absolvição e ordem de devolução

    O Tribunal Central Criminal de Lisboa absolveu o casal em 2025 e mandou devolver tudo o que lhe foi apreendido, incluindo as bitcoins. A decisão tornou-se definitiva a 15 de setembro de 2025. Como as bitcoins desapareceram, um advogado ouvido pela CNN admite que o casal possa pedir uma indemnização ao Estado.

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  5. Falhas na guarda da chave privada

    A Unidade Disciplinar e de Inspeção da PJ abriu um processo interno. A chave privada circulou por email dentro da PJ e até uma funcionária judicial, foi impressa e chegou a ficar no vidro de um scanner, sem proteção. A própria PJ admitiu que as comunicações podem ter sido intercetadas.

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Ponto de situação

O que se sabe vs. o que falta

📍 Onde estamos agora (1)

  • O inquérito foi reaberto e está em investigação, sob segredo de justiça. O rasto das moedas levou a um cidadão canadiano, mas continua por explicar como foi obtida a chave privada. O casal, absolvido, ainda espera a devolução das bitcoins e admite processar o Estado.

❓ O que falta saber (3)

  • Quem teve acesso à chave privada da carteira criada pela PJ e como foi usada para a esvaziar?

  • Como vão a PJ e o Ministério Público cumprir a ordem de devolver as bitcoins, e terá o Estado de indemnizar o casal se não as conseguir devolver?

  • Que regras de guarda de criptoativos apreendidos usa hoje a PJ para impedir que uma chave privada volte a ser impressa, enviada por email ou deixada exposta?

Cronologia essencial

🧭 Os marcos que mudaram o caso

  1. OrigemCarteira da PJ esvaziada

    Dias depois de uma busca em Vila Nova de Gaia, a carteira criada pela PJ para guardar as 9,72 bitcoins apreendidas é esvaziada em quatro movimentos, entre as 09:43 e as 11:08.

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  2. RespostaAbsolvição definitiva e ordem de devolução

    Torna-se definitiva a absolvição do casal pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa. O acórdão manda devolver tudo o que foi apreendido, incluindo as bitcoins que desapareceram.

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  3. ProvasReportagem da CNN Portugal reconstitui o caso

    A CNN Portugal reconstitui o caso a partir do relatório da PJ e lembra que a apreensão aconteceu durante a direção de Luís Neves.

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  4. Ponto de situaçãoPGR confirma que o inquérito foi reaberto

    A Procuradoria-Geral da República diz que o inquérito, reaberto, está em investigação e sob segredo de justiça. O rasto das moedas levou a um cidadão canadiano.

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O que foi dito publicamente

💬 As posições principais

Polícia Judiciária

A PJ disse à CNN Portugal que os factos estão sob investigação, depois de a própria polícia ter pedido a reabertura do inquérito, e que nada mais tem a acrescentar.

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Ministério Público

A Procuradoria-Geral da República disse à CNN Portugal que o inquérito, reaberto em 2025, está em investigação e sujeito a segredo de justiça. Em 2022, o despacho de arquivamento dizia não ser possível concluir quem movimentou as moedas.

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Casal a quem as bitcoins foram apreendidas

O casal, absolvido por decisão definitiva em setembro de 2025, exige a devolução do mesmo número de bitcoins e não do valor de 2018. Admite processar o Estado e diz que os culpados devem ser procurados entre quem teve acesso à chave privada.

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